segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

descer ao asfalto

Na minha única visita ao Rio de Janeiro, já lá vão quase vinte anos, conheci pela primeira vez fenómenos de indigência e criminalidade que, passada uma eternidade, vejo reproduzidos em Portugal. Um deles, foi o dos "auxiliares de aparcamento urbano", vulgo "arrumadores". Assisti com perplexidade aos movimentos coreografados dos "flanelinhas", facilitadores de estacionamento tropicais, que viriam, muito anos depois, a ter o seu equivalente profissional neste cantinho à beira-mar plantado.

Foi lá que me familiarizei com o "arrastão", em que dezenas, às vezes centenas de adolescentes, criavam um tsunami, varrendo as praias e roubando tudo o que era possível na passagem. Os jovens do morro ameaçavam na "descida ao asfalto", i.e., passar da pobreza da favela à zona rica da cidade, furtando e aterrorizando à sua passagem.

Por cá, parece que jovens dos subúrbios do Porto adoptaram idêntico procedimento na passagem de ano, vindo até à zona rica da cidade para um "arrastão". O fenómeno não é novo e já tinha acontecido na capital mas é sociologicamente interessante de analisar e merecedor de reflexão. Será que face à "brasileirização" da nossa sociedade, iremos assistir a mimetismos criminais típicos da extrema desigualdade na distribuição de rendimento e riqueza?

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