terça-feira, 27 de setembro de 2011

Germanofobia


Começo a sofrer de germanofobia. Talvez porque na minha infância e juventude vi demasiados filmes de guerra, a imagem do nazi louco que queria dominar o mundo nunca saiu do meu inconsciente. Não é politicamente correcto dizer-se isto, mas não será esse também o inconsciente colectivo alemão? Cada vez que a senhora Merkel fala não consigo deixar de vislumbrar um Honecker de saias. Sim, porque também Honecker era um nazi. O único que terá dúvidas se a RDA não era uma democracia será o inefável Bernardino Soares. Depois de ler no aventar que a dívida da Alemanha pode ascender a 185% do seu PIB, cada vez mais me convenço que não é a hipocrisia que comanda Merkel. Trata-se de um fuga para a frente, de esconder os seus próprios podres apontando os dos outros. O "exemplo" alemão é um mito, o bezerro de ouro contemporâneo nesta Babel europeia.

Adenda: [Este comentário da Ana]

Mas também duvido que alguma vez o objectivo fosse a união da europa, pois sabemos que desde que entramos fomos subjugados, quando nos espoliaram das nossas fontes produtivas, tornando-nos dependentes. E as relações de dependência não são saudáveis. A pseudo-união só serviu para tentar fazer frente aos EUA e de certa forma controlar os ânimos bélicos dos países europeus, e como todas as relações falsas não se aguentaram muito tempo.
 

6 comentários:

Fenix disse...

Fernando,

É isso mesmo!

A génese do problema é a Babel, europeia e mundial! Enquanto nos dividirmos em subespécies de raças, religiões e económicas, não vamos lá!

Abraço
Ana

Fernando Lopes disse...

Ana,

Não sei a sua opinião, mas acho que concordará comigo que quando uns países começam a tentar controlar os outros, a palavra união deixa de fazer sentido. Somo todos um bocados gregos, não podemos estar com estas divisões que só nos enfraquecem como união de países soberanos.

Abraço,
Fernando

Fernando Lopes disse...

É por isso que quando ouço discursos como o de Merkel hoje, sobranceira, me dão ataques agudos de germanofobia.

Abraço,
Fernando

Fenix disse...

Fernando,

Claro que concordo!

Mas também duvido que alguma vez o objectivo fosse a união da europa, pois sabemos que desde que entramos fomos subjugados, quando nos espoliaram das nossas fontes produtivas, tornando-nos dependentes. E as relações de dependência não são saudáveis.

A pseudo-união só serviu para tentar fazer frente aos EUA e de certa forma controlar os ânimos bélicos dos países europeus, e como todas as relações falsas não se aguentaram muito tempo.

Abraço
Ana

Nuno disse...

Também eu tenho visto crescer uma certa germanafobia, o que me faz pensar que é uma reacção essencialmente irracional, ignorante quase, o que pode abrir a porta a atitudes menos correctas da minha parte. Mas depois há declarações como a de Merkel, que tiram qualquer um do sério... Acho que o importante é tentar separar Merkel da Alemanha, e de certos períodos negros da sua história, o que ainda é mais difícil. É importante não esquecer que a Alemanha também é o país de grandes nomes da Cultura, como Hegel, Marx, Nietzche, Weber, Brecht, Simmel, e tantos, tantos outros...

Fernando Lopes disse...

Nuno,

Obviamente a Alemanha é um pilar na cultura e particularmente na filosofia ocidental. A hipótese de um colectivo germânico com tendências de tutor é meramente académica. Mas há no modo de ser alemão (calvinista de um modo mais geral) uma moral de superioridade e uma dificuldade em conviver com a diferença. Não confundo Merkel com o seu povo, até porque nós portugueses também padecemos da doença de termos um péssimo gosto para escolhermos governantes sem sermos necessariamente um "mau" povo.
Mas lá que me mete medo, isso mete.

Abraço

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