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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quando o jornalista se torna notícia


Tenho o privilégio de ser amigo do Ricardo Alexandre. Estou certo que, como profissional exemplar, não gostaria de se ter transformado em notícia. Certamente que o ar se tornou irrespirável, obrigando-o a não pactuar com decisões censórias. Para ele o meu abraço sentido e solidário.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Mi Casa Es Tu Casa


Um evento com algo de subversivo, intimista e comunitário. A fórmula é genialmente simples. Músicos fazem da sua casa um espaço performativo, e você qual proprietário de um Coliseu por um dia, assiste na sala de estar, fruindo e permitindo a entrada de amigos, vizinhos, desconhecidos. Uma imagem da cidade de portas e coração aberto que é Guimarães. Com aquele jeito melancólico e gaiato, de peito feito para a vida. Um acontecimento só possível porque é a imagem das suas gentes. Onde os homens são meninos, rufando tambores no Pinheiro, as mulheres donzelas à varanda nas maçãzinhas. Um misto de tradição e modernidade, uma feliz conjugação de passado e futuro, só possível graças ao Ricardo e Dalila, que abriram a porta a todos. Mais de 80 em 45m2. Porque são o espelho da cidade, com uma generosidade tão grande que cabe sempre mais um.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"Lúcio Feteira, a história desconhecida" por Miguel Carvalho


O autor do livro "Lúcio Feteira, a história desconhecida", o jornalista Miguel Carvalho, não tem dúvidas: o milionário português era um homem visionário que "não podia ver um rabo de saias" e um empresário repleto de "esquemas".

"Tanto lá (Brasil), como cá (Portugal), não encontrei nos grandes negócios nada que não tenha um esquema, nada que não seja duvidoso", salienta Miguel Carvalho, acrescentando que isso lhe valeu ameaças de morte e armas empunhadas numa Assembleia Geral de uma das empresas, a Covina, cujos sócios acabou por "trair".
Da investigação que durou um ano, o jornalista Miguel Carvalho conseguiu fazer o retrato de um homem simultaneamente capaz de aparecer como "banqueiro da resistência à ditadura" e "financiador de um golpe contra Salazar".

Algo que, segundo o autor do livro, disponível nas livrarias a partir de hoje, só prova a capacidade que Lúcio Feteira tinha "em jogar em diversos tabuleiros", notando a forma hábil como conseguiu, a partir do Brasil, construir "grandes cumplicidades com os poderes militares das ditaduras sul-americanas".

Era um homem visionário, capaz de se preocupar, nos anos 30, com as questões ambientais quando liderava a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, mas uma figura que a injustiça da História secundarizou perante industriais como Alfredo da Silva e António Champalimaud, "muito porque ficava na sombra", justifica Miguel Carvalho.
Lúcio Feteira era "um mulherengo assumido", realça. No livro, o jornalista aborda uma história que atesta a "vertigem" do milionário português pelas mulheres.

"Ele chegou ao aeroporto, viu passar uma beldade e seguiu a mulher. Deu-se ao luxo de trocar o bilhete para acompanhar a mulher, mas quando se vê a bordo do avião constata que ela vai em viagem de lua-de-mel", conta. "Era dado a estes fascínios e a estes luxos", explica Miguel Carvalho.

Rosalina Ribeiro foi uma companheira "útil", de "dedicação inexcedível, embora se possa pensar que teria o seu interesse muito próprio", mas "aquela que eu penso que foi a mulher da vida de Lúcio Feteira, a sua primeira grande amante, foi Celeste Pastorini", sustenta.

"Era muito bonita, ofereceu-lhe sociedades, deram a volta ao mundo. Um dia confidenciou a familiares: Ela gostou muito de mim e eu muito dela', algo que nunca disse de outra mulher ou de Rosalina, ilustra o jornalista.
O autor do livro, contudo, sublinha que nada do industrial multimilionário "era a preto e branco" e, apesar do sucesso nos negócios e com as mulheres, Miguel Carvalho gravou na mente uma frase de Lúcio Tomé Feteira: "Tudo neste País contra mim se tramou."

Texto roubado ao DN Online. O Miguel brilha diariamente no blogue A Devida Comédia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

The educated drunk

 Charles Bukowski, também ele um bêbado instruído
The educated drunk, ou o bêbado instruído, é um conceito in motion que tenho vindo a trabalhar com o meu amigo Ricardo. De Burroughs a Miguel Esteves Cardoso, o uso de psicotrópicos por grandes vultos da cultura tem o peso de uma banalidade. A maioria estará familiarizada com Bukowski, quanto mais não seja através do filme e livro Barfly, que Mickey Rourke protagonizou nos idos de oitenta. O meu amigo Ricardo não é adicto como Bukowski, mas quase só recebe dois tipos de presentes. Livros e Vinhos (ou outros destilados). É um leitor voraz, culto, e que tem a particularidade de estar sempre com sedes várias. Brinquei com ele apelidando-o de "The Educated Drunk". De facto entre outros interesses, partilhamos livros e produtos etílicos, que nos permitiram cimentar uma amizade sólida entre consumos alarves de bebidas alcoólicas, nas infelizmente não muitas vezes em que estamos juntos. Sem o dramatismo que a dependência provoca, terão de concordar que uns bons copos e livros são sempre motivo para uma boa conversa e debate.

sábado, 17 de setembro de 2011

Amizades e afectos


Ontem à noite foi um momento de amizades e afectos. Amizade da pura e dura que se cria nos tempos conturbados da juventude, partilhando ideias, interesses, projectos, ansiedades e inseguranças. Amizades que, estranhamente, sobrevivem a tudo, inclusive à morte. Foi isso que o Ricardo Alexandre testemunhou na apresentação da biografia "João Aguardela - Esta vida de Marinheiro"  subtitulada "Dos Sitiados à Naifa, a rasgar a vida". 

Foi também uma noite de afectos. Há pessoas de quem não temos o telefone, que vemos ocasionalmente, e no entanto criamos uma com elas uma enorme empatia. E retomamos uma conversa parada há meses como se nos tivéssemos afastado ontem. É bom partilhar as alegrias da paternidade, as brincadeiras com o futebol, como se o factor tempo fosse secundário nas nossas vidas. E esses afectos, essa cumplicidade, deixam-me infantilmente feliz.

Porque a noite foi de materialização da amizade entre o João Aguardela e o Ricardo num livro, fica o património legado pelo Aguardela. A música.

sábado, 16 de julho de 2011

Membros



Quando iniciamos um blogue, tudo é novidade. Decidi que este seria um blogue sem tema. É que eu também sou um tipo sem assunto. Seria de pensamentos avulso, o mais espontâneos possível. Com o risco que tal atitude acarreta, tomei a decisão de não burilar os textos. Tinham se ser instintivos, sentidos. Em detrimento de um português mais apurado achei que devia ser acima de tudo natural. Escrever como falo.

Hoje ao abrir o blogue passei pelos rostos que tiveram a desfaçatez de mostrar publicamente que lêem isto. Conheço-os pessoalmente a quase todos. As duas únicas pessoas que seguem o purgatório e que nunca vi também já as considero amigas. A Fénix já se expôs, discordou, deu ideias, participou em discussões, animou-me em momentos de depressão, uma verdadeira amiga. A Paula é do tipo silencioso. Ocasionalmente escreve belos contos no Uma espécie de mim. Participou poucas vezes, mas sempre com generosidade e assertividade. Gostei que tivessem mudado o nome do widget de Seguidores para Membros. Não sou profeta, nem quero ter seguidores. Mas agrada-me a ideia de sermos membros de uma comunidade de amigos que na pluralidade encontram algo que os une. A amizade não se agradece, mas obrigado por serem meus amigos.