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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Impostos? Só para alguns ...


"... das 20 maiores companhias com acções na praça lisboeta, 17 escolheram Amesterdão, Roterdão ou Amstelveen para sediarem filiais."

Como tinha escrito num post anterior o dinheiro não desaparece. Como apátrida que é, apenas se move para locais onde encontra abrigo seguro dos impostos. Por esta pequena demonstração prática, o dinheiro é, de facto, mais importante que as pessoas. Podem os portugueses escolher o regime fiscal da UE que lhes é mais favorável? Não. Temos de ser solidários e assaltados numa base diária. Podem as empresas, esses entes abstractos, que tanto fazem pela degradação das nossas condições de vida, usar a táctica do cuco e por o ovo no ninho mais favorável? Claro. É por isso que quando leio que os grandes empresários são essenciais para "criar riqueza", só me dá vontade de rir. Ou de chorar ...

sábado, 8 de outubro de 2011

Não há dinheiro


A ladainha do "não há dinheiro" já me começa a chatear. Hoje num espaço de uma hora, ouvi a frase por Franciso José Viegas e Miguel Relvas. OK, caro leitor. Ele não está no meu, nem no seu bolso. Mas como não acredito no milagre da multiplicação dos peixes, também tenho sérias reservas sobre este novo fenómeno da evaporação do dinheiro. Algo me diz que ele anda aí, em correria desenfreada saltando do meu bolso e do de todos os contribuintes para os bolsos de outrem. Follow the money ...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Manifestações inócuas


Antes de mais uma confissão. Tenho um parti pris em relação a Pacheco Pereira. Apesar de o considerar um excelente debatedor [a palavra existe e está dicionarizada], não vislumbro o brilho intelectual ou a cultura enciclopédica que muitos lhe atribuem. E, no entanto, ontem fez uma análise com que não poderia concordar mais sobre a possibilidade de agitação popular nos tempos mais próximos. Primeiramente desconstruiu o mito salazarista de que somos um povo de brandos costumes. Não somos. A guerra colonial e as atrocidades nela cometidas e o verão quente de 75, são momentos históricos recentes que desmontam esta ideia conveniente aos poderes instituídos. Seguidamente, numa discussão que também tem passado pela blogosfera, elucubrou sobre a inocuidade das manifestações e protestos promovidos pela CGTP e PCP. Aos comunistas não interessa agitação social que não possam controlar. É bem conhecido o extremo cuidado para que as demonstrações promovidas por este duo não degenerem nunca em actos violentos. Basta que se junte um grupo de gente fora dos cânones expectáveis em termos indumentária e conduta que logo serão cercados pela segurança da CGTP/PCP. O PCP é um partido e como todos os partidos sofre de previsibilidade e hierarquização. O colectivo sobrepõe-se sempre à acção individual. O aviso dos serviços de segurança não passa de um alerta para o desconhecido, espontâneo, não enquadrável nos padrões e que ninguém sabe como começa ou termina.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Estado mínimo, taxa máxima




We shall go on to the end. We shall fight [...] on the seas and oceans; we shall fight with growing confidence and growing strength [...]. We shall defend our island whatever the cost may be; we shall fight on beaches, landing grounds, in fields, in streets and on the hills. We shall never surrender [...]

A entrevista de Vítor Gaspar ao Público é a confirmação de que os cortes da despesa corrente, a fusão e extinção de organismos redundantes do estado são mera cosmética. Poupam-se gotas num oceano de dívida. A poupança de 100 milhões de euros recentemente anunciada equivale ao que gastamos ao manter forças militares no Afeganistão e Iraque.

Todos compreendemos que os cortes vão ser nas áreas da saúde, educação e prestações sociais. As conquistas do 25 de Abril prendem-se precisamente com estes três campos. Temos (tínhamos) um sistema de educação pública que permitiu a ascensão social, uma saúde sofrível, mas para todos, uma almofada no caso do desemprego ou pobreza. Sócrates iniciou a destruição das garantias sociais. Na ânsia de agradar à Alemanha e aos "credores" este governo vai desbaratar um património comum que permitiu aos portugueses uma subida significativa de qualidade de vida nos últimos 37 anos. Os fantoches franco-alemães limitam-se a seguir a voz do mestre, mesmo quando, contra-natura, prejudicam o povo que os elegeu. Os liberais aplicam a receita de serviços mínimos, taxas mínimas. Em Portugal consegue-se a quadratura do círculo. Um estado que presta serviços mínimos mas que cobra a taxa máxima.

É esse o motivo porque me aproprio do discurso de Churchill. Com a certeza de que não me irão derrubar sem luta.

Cartaz da Gui Castro Felga.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Will work for food


É difícil mas necessário ironizar casos como o de um homem escravizado desde 2006. Representa apenas as medidas tendentes a desvalorizar o factor trabalho como a redução da TSU, a facilitação dos despedimentos, a eternização dos contratos a prazo ou os recibos verdes. Num mundo global, para competir com os custos de produção chineses, teremos todos de nos tornar "chineses". Todo o programa do governo aponta neste sentido. O que estes homens fizeram é de uma crueldade e desumanidade extremas. E no entanto, após a completa implementação das medidas das troika no que ao trabalho respeita, não ficaremos muito melhor. Com o desemprego e a minimização das prestações sociais não estamos longe do tempo em que "trabalharemos por comida".

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Coisas que me deixam louco ...


Para quê concentrarmo-nos no cumprimento do memorando se o PSD grita aos quatro ventos que quer "ir para além da troika". Porquê esta obsessão de bom aluno, que faz mais trabalhos de casa do que o professor solicita? Qual a motivação para tal servilismo? Porque não procuramos fazer lobby com os países em situação idêntica à nossa? A Europa desmorona-se, sem ideias ou rumo, navegando à vista perante a avidez dos mercados. A única solução para que não entremos em default como provavelmente acontecerá à Grécia é uma renegociação da dívida. Uma renegociação conjunta dos países intervencionados. É menos penalizante para os povos proceder a um ajustamento orçamental de 5% em 10 anos do que em 2. Caso não seja este o caminho adoptado o efeito-dominó será inevitável e a Grécia arrastará Portugal para fora do euro, Portugal a Irlanda, a Irlanda a Espanha, esta a Itália e por aí fora. Ou serei eu que estou errado?

Actualização: [Declarações de Christine Lagarde] "A resposta da Europa à crise da dívida, disse, deve equilibrar-se entre “medidas necessárias para promover o crescimento a curto prazo” e preservar “a consolidação orçamental a médio e longo prazo”.

Imagem roubada daqui.

sábado, 10 de setembro de 2011

Castração química ... não, o melhor é arrancar-lhe os tomates à dentada!

Respeito os jornalistas como classe. Privo ocasionalmente com dois grandes jornalistas, Miguel Carvalho da Visão e Ricardo Alexandre da Antena 1. Além do brilho profissional são seres humanos de uma grande simplicidade, capacidade de análise, sensibilidade e honestidade intelectual. Mas há sempre uma maçã podre em todas as classes.

Não conheço António Ribeiro Ferreira senão através das suas intervenções num programa da TVI24. Gritando, vociferando, tentando impor os seus pontos de vista de um modo espalhafatoso sem a serenidade que se exigiria a um jornalista sénior. Considero-o medíocre pelo pouco que li nas suas "crónicas", um idiota útil, que papagueia cartilhas liberais já conhecidas sem coerência ou brilho.

Mas o António anda numa fúria sem jeito. Ontem disparou contra os sindicatos, numa crónica amplamente divulgada na blogosfera e que pode ser lida aqui. Hoje, véspera do 11 de Setembro, atira-se como gato ao bofe e de uma só penada a Obama, transforma-me numa espécie de cruzado ["A Europa não mudou, continua sem política externa e com muito medo dos radicais islâmicos, Nega as suas raízes cristãs, condena a publicação de cartoons de Maomé e faz tudo o que pode para não irritar os terroristas."], louva a política externa de Bush, mandar a ONU esquecer as suas resoluções relativamente à Palestina e ainda termina brilhantemente insinuando que a revolução árabe é um viveiro de terroristas. Gosto de o ver assim desesperado, é sinal que a frente avançada da direita já não controla os esfincteres e está literalmente a borrar-se de medo com a mudança de paradigma político e económico que lenta mas inexoravelmente tomará o mundo. António, os cães, esses animais dóceis, farejam o medo. E tu tresandas ...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Os queixinhas

A moda é lançar lamentos. Contra o aumento de preços, os impostos, a atitude economicista na saúde, o desemprego, o pequeno comércio no último estretor antes de uma morte anunciada. São queixas de quem vê o seu poder de compra desaparecer, a estabilidade laboral transformar-se em precariedade,um futuro incerto para si e seus filhos. Quando os ouço não consigo deixar escapar um sorriso que mais parece um esgar. Não foi este o programa que 80% dos portugueses sufragaram nas urnas?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A barafunda ideológica é uma cena que a mim não me assiste


Anuncia-se uma nova manifestação para 15 de Outubro. Os promotores são os mesmos do 12 de Março. O sucesso do 12 de Março foi conjuntural. Nas ruas juntaram-se da esquerda à direita todos os que estavam contra Sócrates. Não havia uma matriz ideológica distintiva no 12M que essencialmente agrupava compreensíveis descontentamentos.

Nas eleições esse descontentamento manifestou-se na maioria que os portugueses deram ao PSD e CDS. Não contesto os resultados eleitorais (nem poderia) mas hoje é óbvio é que os portugueses saíram do diabo e meteram-se com a mãe . O mesmo chorrilho de promessas não cumpridas, o mesmo ataque aos trabalhadores, a mesma avidez fiscal. O que os portugueses validaram nas urnas foi uma mudança de estilo e não de políticas. A passagem do "animal feroz" ao equivalente masculino da "Amélia dos olhos doces". Conheço muitos participantes do 12M que são simpatizantes do PSD e que estiveram presentes como modo de pressão sobre Sócrates. Tudo isto é legítimo, mas com a provecta idade de 48 anos já me posso dar ao luxo de escolher as companhias. Até nas manifestações.

A 15 de Outubro não haverá tantas "linhas cruzadas". Esta demonstração terá um carácter ideológico que esteve ausente no 12M. Quem estará presente serão as pessoas com ideais solidários e de esquerda. Do PS ao PCTP-MRPP. Os simpatizantes dos partidos agora no governo não participarão. A 15 de Outubro seremos certamente em menor número. Mas com ideias muito menos difusas do que o justificado ódio a Sócrates. Ainda bem. A barafunda ideológica é uma cena que a mim não me assiste.

Alcatrão e penas


No El País, Pedro Passos Coelho é definitivo. Questionado se tenciona criar um imposto que tribute as grandes fortunas é definitivo. "Não, necessitamos de é de atrair fortunas, investimento e capital externo.". Nada me move contra os ricos. Mas que quem mais tem fique à margem desta sangria colectiva é chocante pela "falta de insensibilidade social", como diria o Tozé. Passos mostra-se seguro [reparem na beleza do trocadilho] que não haverá contestação social em Portugal. "no hay señales de protestas violentas.", diz. Até ao dia em que os portugueses das classes baixa e média, fartos de serem espoliados, te tratem à moda do velho Oeste. Com alcatrão e penas.

domingo, 28 de agosto de 2011

Até o negócio da morte está em crise!


Até o negócio da morte está em crise. Na secção da Necrologia do JN já se fazem descontos nos anúncios das missas de 7º e 30º dia.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tristemente inconsequente


As causas fracturantes do BE já se tornaram um ex-libris deste partido.O Bloco tem momentos  pequeno-burgueses confrangedores. Numa situação de emergência social, com milhares no desemprego e outros tantos na fila para esse flagelo, num momento em que importaria defender os interesses dos trabalhadores e provar a capacidade de mobilização de uma multidão de insatisfeitos com este modelo social e económico, o BE, incapaz de levar o povo às ruas, transporta para o parlamento as célebres "causas fracturantes". Com uma maioria de direita e embora tratando-se de matéria de consciência, logo sujeita ao livre-arbítrio, regressamos ao quixotismo puro e duro, sem sustentação social ou maioria política que permitam levar estas propostas avante.

Respeito os direitos das minorias. Nada me move contra a adopção por casais homossexuais. Compreendo e aceito como boas muitas das razões que os sábios convocados irão dar para a eutanásia. Mas é esta a temática que preocupa o povo português?  Quem no dia a dia se debate para pagar água, luz, alimentação? Por muita consideração que me mereçam as minorias, há uma imensa maioria com a mais prosaica das preocupações. Sobreviver. E é para esses que as atenções deviam estar voltadas.

O resto são questões periféricas e de costumes a ser debatidas em outros momentos. Já por aqui disse que o momento é de combate na rua. Pacífico, mas firme e inequívoco. Com estar iniciativas o BE parece uma espécie de emplastro da política portuguesa, colocando-se aos saltinhos atrás das câmaras de TV para uma efémera notoriedade. Notoriedade essa tristemente inconsequente.

sábado, 20 de agosto de 2011

Crónica de um tempo futuro ...


Em Portugal aconteceu no mês de Julho a maior quebra de sempre no consumo. Austeridade gera recessão, recessão gera menos receita, o que implica aumento de impostos e consequentemente menos consumo e menos receita. A fórmula do FMI já tinha provado mal na Argentina e na Grécia. Cegamente, como se de uma cartilha se tratasse foi aplicada a Portugal. As primeiras consequências estão à vista. Mas isto é apenas o princípio.

Se os senhores do FMI e do governo andassem na rua veriam o que todos os Portugueses vêem. As lojas vazias (os saldos foram desastrosos, mesmo para as grandes marcas), o comércio moribundo a aguardar pela estocada final, lá para Janeiro. Ao sábado por razões pessoais costumo almoçar fora. Num restaurante modesto em que duas pessoas comem com facilidade por 15€. Estava vazio. As Telepizzas, anteriormente tão usadas ao fim-de-semana e durante os jogos de futebol já oferecem duas pelo preço de uma. Roupa só o essencial para renovar o stock.

Na Grécia 25% do comércio já fechou. Em Portugal, a partir de Janeiro o mesmo irá acontecer. Milhares de pequenos comerciantes estão a aguardar as vendas de Natal para pôr fim à sua actividade em Janeiro. Milhares de postos de trabalho perdidos, uma sociedade em que uns não consomem porque não podem, outros porque têm medo. E quando um povo tem medo do futuro a paralisia da economia é inevitável. Daqui a um ano estaremos numa situação idêntica à da Grécia a provar pela segunda vez que esta receita não resulta. E muito mais pobres e com muito mais medo. Toda uma ideologia a funcionar. Até um dia ...

Em cuecas ficamos nós ...


Ontem o palhaço actou em Porto Santo. O Bokassa da Madeira mantêm-se à margem da austeridade porque "atirar a toalha ao chão" não é com ele. Claro que não, basta agitar o independentismo e as mais de três décadas de vitórias para o PSD que logo PPC afogará o "problema Madeira" com dinheiro de todos os contribuintes, madeirenses ou não. Sacrifícios sim, mas só para alguns. Ficamos nós em cuecas que AJJ vai continuar a gastar à tripa forra.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Its the end of the world as we know it

Olho os jornais. A Alemanha estagnou no crescimento do PIB. Qual Nostradamus de trazer por casa, caso a inércia Merkel/Sarkozy se mantenha, prevejo Mercedes e BMWs a preços de saldo, submarinos de água doce sem comprador, maquinaria pesada a fazer stock nos parques industriais. A  chanceler nunca compreendeu que os países ricos não são uma ilha, e que sem consumidores não há produtores que resistam. Não é preciso ser economista, basta ter bom senso para se perceber que o capitalismo entrou num ciclo autofágico. Ler Roubini a citar Marx ou Buffett a pedir um aumento de impostos para os super-ricos é um sinal de mudança dos tempos. O capitalismo como teoria económica ou se adapta, regenera e assume uma componente de redistribuição ou morre. Alguns já compreenderam esta necessidade. Outros, em estado de negação ou por burrice pura e dura recusam-se a aceitar que é preciso um novo modelo económico ou uma rápida readaptação do capitalismo tal como o conhecemos. Tempos interessantes estes os que vivemos em que se inicia gradualmente uma mudança de paradigma.

domingo, 14 de agosto de 2011

tentifada



Ao que leio a proletarização da classe média corre pelo mundo fora. Depois do 12 de março em Portugal, dos indignados em Madrid parece que os israelitas também estão à rasca. Protestos que já duram há um mês e que ontem reuniram 70 mil pessoas em diversas cidades da periferia. Interessante que para se conseguir informação completa sobre este protesto se tenha de consultar a imprensa internacional. Por cá, apenas o Público noticia o protesto. Não vá a coisa pegar moda ...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

I predict a riot


Nada que não estivesse previsto por alguém com capacidade de análise e crítica.


Watching the people get lairy
Is not very pretty I tell thee
Walking through town is quite scary
And not very sensible either

A friend of a friend he got beaten
He looked the wrong way at a policeman
Would never have happened to Smeaton
An old Leodensian

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A paz social compra-se!





Como bem disse Hugo Mendes no Jugular, a paz social compra-se. Os tumultos em Londres são consequência indirecta do fecho de clubes de jovens, que continham numa paz podre, uma massa sem escolaridade, sem emprego, sem futuro. O governo de David Cameron resolveu cortar subsídios a esses "youth clubs" deixando esse bando de miúdos sem nada a perder, à rédea solta. Os resultados são visíveis. Dois dias de tumultos, mais de 100 detidos, caos e pilhagens na rua. Transpondo estes factos para a sociedade portuguesa, o RSI teve o mérito de mal ou bem conter casos similares. Embora este tipo de violência seja indefensável, negar a sua existência latente neste cantinho à beira mar plantado é seguir a táctica da avestruz. É bom que se veja o que se corta e onde se corta sob risco de se gerarem ricochetes de calibre similar.

P.S. - Acho que é bem claro para todos que sou contra a violência. Mas antes de estender o dedo acusador e ficar pela espuma das coisas procuro compreender o porquê. Este artigo é um bom contributo.