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domingo, 30 de outubro de 2011
notas blogosféricas e o tamanho da minha pilinha
Como terão notado os seguidores mais atentos deste blogue, retirei o widget dos Membros. Tal deve-se única e exclusivamente a uma incompatibilidade entre a aplicação e o meu template. Ora surgia, ora desaparecia como uma lâmpada prestes a fundir-se. Incapaz de resolver o problema, retirei-o. Os 17 que deram a cara publicamente mostrando que gostavam desta coisa parecida com um blogue, continuam a contar com o meu carinho e admiração por serem tão temerários. Para luzes a aparecer e desaparecer fugazmente, sem que nos apercebamos que existem, já bastam os nossos ordenados.
Disse uma vez aqui, que os pageviews eram para panisgas. Mantenho a opinião. Permitam-me no entanto uma exibição despudorada do tamanho da minha pilinha. O purgatório ultrapassou hoje a fasquia dos 5.000 hits/mês. A internet não se mede ao quilo, nem a qualidade dos blogues por pageviews. Para quem me lê é certamente pouco importante, mas significa que, este mês, abandonei os regionais e passei à 3ª Divisão B. Mais uns anitos e terei tantos leitores mensalmente como os grandes blogues tem por dia. Eventualmente, ao fim de tanta tentativa, poderei até publicar um post que mereça ser lido. The sky is the limit!
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
O cinismo como atrofia
Todos somos Diógenes. Particularmente em tempos difíceis é apetecível e justificado. Grandes pensadores, homens de letras, artistas, o cinismo sempre possibilitou um olhar crítico sobre nós e os outros. Não é em si mau. Permite-nos, qual alma desirmanada do corpo, pairar sobre o nosso espectro, olhar o quão ridículos somos, não nos levarmos demasiado a sério. O cinismo de Diógenes não era o que por aí circula de "os políticos são todos iguais", "anda meio mundo a roubar outro meio" e o conformismo de "enquanto o pau vai e vem, folgam as costas". Era uma base para a construção de um homem melhor, porque com essa consciência, mais atento ao mundo e aos seus semelhantes, elevando a fasquia, exigia mais. Ser cínico por militância ou diletantismo é uma forma de atrofia. Porque se encolhem os ombros perante as dificuldades, vira-se as costas ao que nos indigna, mata-se a esperança de homens e amanhãs melhores. Inocência, ingenuidade, inconsequência, dirão eles. Talvez, mas antes isso do que virar costas à luta por um mundo melhor. Porque, quem desiste, já está morto e ainda não foi informado do funesto evento.
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sábado, 1 de outubro de 2011
Músicas da minha vida (I)
Ao ler um post no bitaites sobre Prince e a ligação emocional que certas músicas têm a determinados momentos das nossas vidas, lembrei-me de que todos somos donos de uma "banda sonora". Desde a música que nos abriu o horizonte para novas bandas, gostos e demandas musicais, até à melodia que associamos a determinados amores ou momentos marcantes. Trinta e oito anos passados, lembro-me como se fosse hoje, do momento em que descobri o meu "mundo musical". A Tia Guta, foi das três irmãs da minha mãe, a que casou mais tarde, o que lhe dava uma infinita paciência e algum prazer em aturar os sobrinhos. Eu, como mais velho, era levado para partilhar coisas que os mais novos não podiam ou não tinham idade. Foi assim com o "Novecento" de Bertolucci e com "Jesus Christ Superstar". No "Jesus Christ" descobri novos ritmos e um vocalista fabuloso Ian Gillan, à data lead singer da minha banda de adolescência, os Deep Purple.
Na altura não se podia googlar e descobrir tudo sobre aquela banda ou cantor em 30 segundos. Não havia downloads, nem ITunes. O interesse que o musical me despertou, obrigou-me a pesquisas, conversas com donos de lojas de discos, trocas de K7 pirata com os amigos. Anos mais tarde, com 17, passava a tarde a ouvir rádio com um amigo da altura, sempre atento às novidades. Luís Filipe Barros no "Rock em Stock" e António Sérgio com o "Som da Frente" fizerem-me o ouvido e moldaram-me o gosto. Sempre pela música popular de raiz anglo-saxónica.
Ontem, numa conversa à mesa, a propósito do que poderia ter sido uma relação com uma rapariga com quem namorei longos anos, lembrei-me da música que me acompanhou quando conheci a minha mulher, mãe da minha filha, e que partilha comigo o leito conjugal há 18 anos, excepto quando sou corrido para o sofá à cotovelada por ressonar demasiado alto. Essa música chama-se "More" dos Sisters of Mercy e tem como refrão "and I need all the love I can get". Ontem como hoje preciso de todo o amor que consiga "obter".
Na altura não se podia googlar e descobrir tudo sobre aquela banda ou cantor em 30 segundos. Não havia downloads, nem ITunes. O interesse que o musical me despertou, obrigou-me a pesquisas, conversas com donos de lojas de discos, trocas de K7 pirata com os amigos. Anos mais tarde, com 17, passava a tarde a ouvir rádio com um amigo da altura, sempre atento às novidades. Luís Filipe Barros no "Rock em Stock" e António Sérgio com o "Som da Frente" fizerem-me o ouvido e moldaram-me o gosto. Sempre pela música popular de raiz anglo-saxónica.
Ontem, numa conversa à mesa, a propósito do que poderia ter sido uma relação com uma rapariga com quem namorei longos anos, lembrei-me da música que me acompanhou quando conheci a minha mulher, mãe da minha filha, e que partilha comigo o leito conjugal há 18 anos, excepto quando sou corrido para o sofá à cotovelada por ressonar demasiado alto. Essa música chama-se "More" dos Sisters of Mercy e tem como refrão "and I need all the love I can get". Ontem como hoje preciso de todo o amor que consiga "obter".
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Música
sábado, 24 de setembro de 2011
Pai Imperador (*)
Os papéis de género já não são o que eram. Depois de uma noite mal dormida sou obrigado a despertar às 9:15. Tinha-me comprometido com a minha filha a ver com atenção cinéfila uma versão da "Branca de Neve" que a entusiama particularmente por ser protagonizada pela Hello Kitty. Eu, que só tive um irmão e que até há 6 anos, a coisa mais próxima de uma boneca com que tinha lidado era um Action Man. Para a Tilucha também não existe diferenciador do papel pai-mãe. Sou frequentemente chamado a dar-lhe banho, a explicar que aquela pintinha nas cuecas não é xixi mas uma "coisa de senhoras e meninas" e por aí fora. Respondo ao grito de mãeeeee!. Desempenho todas estas tarefas alegremente. A carreira profissional das mulheres obriga a uma distribuição dos cuidados com os infantes que apenas há 20 anos atrás seria impensável. Está a ser criada uma nova espécie, o pai-imperador em analogia com o pinguim-imperador. A todos os pai-imperador, que, como eu, preparam papas e comidas, dão banhos, limpam rabinhos e contam histórias, a minha homenagem. Dentro em breve teremos uma versão macho da música da Ágata, e poderemos, enquanto desempenhamos as nossas tarefas, cantar alegremente "Sou pai solteiro, mas não me sinto só ..."
(*) Eles nunca abandonam o ovo, que congelaria, e sobrevivem à base da camada de gordura acumulada durante o verão.
(*) Eles nunca abandonam o ovo, que congelaria, e sobrevivem à base da camada de gordura acumulada durante o verão.
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sábado, 17 de setembro de 2011
Amizades e afectos
Ontem à noite foi um momento de amizades e afectos. Amizade da pura e dura que se cria nos tempos conturbados da juventude, partilhando ideias, interesses, projectos, ansiedades e inseguranças. Amizades que, estranhamente, sobrevivem a tudo, inclusive à morte. Foi isso que o Ricardo Alexandre testemunhou na apresentação da biografia "João Aguardela - Esta vida de Marinheiro" subtitulada "Dos Sitiados à Naifa, a rasgar a vida".
Foi também uma noite de afectos. Há pessoas de quem não temos o telefone, que vemos ocasionalmente, e no entanto criamos uma com elas uma enorme empatia. E retomamos uma conversa parada há meses como se nos tivéssemos afastado ontem. É bom partilhar as alegrias da paternidade, as brincadeiras com o futebol, como se o factor tempo fosse secundário nas nossas vidas. E esses afectos, essa cumplicidade, deixam-me infantilmente feliz.
Porque a noite foi de materialização da amizade entre o João Aguardela e o Ricardo num livro, fica o património legado pelo Aguardela. A música.
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011
e-mulher
Na era do virtual, nos Estados Unidos já se vendem mais e-books do que livros em papel. Estou à espera das e-mulheres. Assim quando a minha me começar a chatear por eu ser um desorganizado, deixar cinza por todo o lado, cheirar mal dos pés ou não ser capaz de cozinhar, faço-lhe um shutdow ou simplesmente uso o botão de mute.
Brincadeira, obviamente. Como poderia eu sobreviver sem a doce tagarelice da minha amada?
[Imagem]
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domingo, 11 de setembro de 2011
Português, glutão, 48 anos de idade
O entusiasmo dos portugueses com a comida é imenso. Vivemos para comer, mais do que comemos para viver. Embora os meus conhecimentos de gastronomia não seja muito vastos, arriscar-me-ia a definir-nos como um povo de glutões sofisticados. Os amigos reúnem-se sempre à volta de uma mesa. Uma reunião sem comida é um encontro desenxabido ou de intelectuais.
Os hamburgueres e a fast-food que tanto preocupam o Bastonário da Ordem dos Médicos são um esboço calórico ao lado de um bom cozido à portuguesa ou umas tripas à moda do porto, acompanhados de uma garrafa de tinto. O nosso peixe mais tradicional e consumido é pescado a 4.000 km de distância, nos mares da Noruega. Esta demanda do Santo Graal da comida é tipicamente portuguesa. Se perguntarem a um compatriota emigrado do que mais sente saudades, a par da família virá certamente a comida.
Do Minho ao Algarve temos pratos únicos e deliciosos. Do arroz de sarrabulho minhoto à cataplana algarvia. Eu, se me saísse o euromilhões, em vez de montar Hard-Rock Cafés ou Starbucks conquistava a Europa pelo estômago. Um franchising chamado "Tasca do Zé da Esquina" em Amesterdam, Berlim ou Londres onde almas que comem sandwiches nos bancos de jardim à hora de almoço e jantam batatas cozidas com salchichas, poderiam encher a pança com o melhor peixe do mundo, enchidos e fumeiro, petinga com arroz de tomate e outras maravilhas por quantias módicas. Para arrasar com a teoria do bom do Dr. a sobremesa obrigatória seria um Pudim Abade de Priscos. E quanto a calorias estamos conversados, ok?
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A barafunda ideológica é uma cena que a mim não me assiste
Anuncia-se uma nova manifestação para 15 de Outubro. Os promotores são os mesmos do 12 de Março. O sucesso do 12 de Março foi conjuntural. Nas ruas juntaram-se da esquerda à direita todos os que estavam contra Sócrates. Não havia uma matriz ideológica distintiva no 12M que essencialmente agrupava compreensíveis descontentamentos.
Nas eleições esse descontentamento manifestou-se na maioria que os portugueses deram ao PSD e CDS. Não contesto os resultados eleitorais (nem poderia) mas hoje é óbvio é que os portugueses saíram do diabo e meteram-se com a mãe . O mesmo chorrilho de promessas não cumpridas, o mesmo ataque aos trabalhadores, a mesma avidez fiscal. O que os portugueses validaram nas urnas foi uma mudança de estilo e não de políticas. A passagem do "animal feroz" ao equivalente masculino da "Amélia dos olhos doces". Conheço muitos participantes do 12M que são simpatizantes do PSD e que estiveram presentes como modo de pressão sobre Sócrates. Tudo isto é legítimo, mas com a provecta idade de 48 anos já me posso dar ao luxo de escolher as companhias. Até nas manifestações.
A 15 de Outubro não haverá tantas "linhas cruzadas". Esta demonstração terá um carácter ideológico que esteve ausente no 12M. Quem estará presente serão as pessoas com ideais solidários e de esquerda. Do PS ao PCTP-MRPP. Os simpatizantes dos partidos agora no governo não participarão. A 15 de Outubro seremos certamente em menor número. Mas com ideias muito menos difusas do que o justificado ódio a Sócrates. Ainda bem. A barafunda ideológica é uma cena que a mim não me assiste.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Amanhã vamos à escola
Amanhã é o primeiro dia na nova escola da minha filha. Sei que não devia estar nervoso, mas não o consigo evitar. Rompem-se seis anos de rotinas e inicia-se uma nova fase. De um conhecimento incipiente das letras e dos números, passará para a escola a sério. Com horários, tarefas, trabalhos de casa. O ensino pré-escolar dá aos infantes ferramentas e conhecimentos que não tínhamos no meu tempo. O conhecimento do alfabeto e de operações básicas de adição e subtracção poderá ser uma preciosa ajuda para evitar o choque com este novo mundo, com muito mais trabalho e disciplina e muito menos brincadeiras. Realizará um desejo há muito expresso. Ler. Sempre que estou à volta de um livro ou revista, tenho dois pequenos olhos por cima da minha nuca.
- Pai, o que diz aí?
Eu explico a notícia ou a história, mas raramente consigo evitar um "Eu não sei ler!", pleno de frustração por a amálgama de letras ser ainda um código indecífrável.
A descoberta das letras e de como estas formam palavras e frases será uma revelação há muito esperada, um novo mundo de histórias e acontecimentos que se irá abrir de para em par. Deveria encarar esta mudança com tranquilidade, mas parece que também eu vou à escola pela primeira vez.
- Pai, o que diz aí?
Eu explico a notícia ou a história, mas raramente consigo evitar um "Eu não sei ler!", pleno de frustração por a amálgama de letras ser ainda um código indecífrável.
A descoberta das letras e de como estas formam palavras e frases será uma revelação há muito esperada, um novo mundo de histórias e acontecimentos que se irá abrir de para em par. Deveria encarar esta mudança com tranquilidade, mas parece que também eu vou à escola pela primeira vez.
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domingo, 28 de agosto de 2011
Eu, Cavaco e o facebook
O facebook, como todas as novas tecnologias, exerce um fascínio enorme sobre os portugueses. Dizem-no útil para reencontrar velhos amigos do liceu, parentes desaparecidos, ex-namorados(as) e uma miríade de almas perdidas no éter. Como bom português também tenho conta no facebook, face para os amigos. Entrei tarde e frequento-o cada vez menos. Aparte de meia-dúzia de colegas do liceu a ferramenta revela-se insuficiente para quem não busca. Depois há os eternos gaviões e as suas fêmeas. Sempre atentos a uma carinha laroca, um comentário insinuante, uma deixa para pular a cerca. Um colega particularmente afoito a desconstruir estas coisas, inscreveu-se como trintona sexy, divorciada e aparentemente disponível. Em dois dias tinha 250 "amigos" alguns deles casados e de quem conhecia as mulheres. Suponho que o inverso também será verdadeiro. Todos já ouvimos o caso do(a) cota que abandonou mulher (marido) e filhos por causa daquele borracho que conheceu no face.
Cada um sabe de si e não me cabe compete fazer julgamentos sobre o uso que dá a esta nova forma de comunicação. Para mim não dá. Desde os DJs frustrados que disparam dez de seguida, até aos que só escrevem coisas enigmáticas, a minha paciência e tempo são escassos para lidar com tal futilidade.
Mas o mais grave disto é que já não é só uma ferramenta de jovens ou adultos à procura de não sei muito bem o quê, mas uma ferramenta institucional. Cavaco Silva é o seu utilizador top. Quando devia comunicar olhos nos olhos aos portugueses, lança bitaites via face. Nunca li nada que ele lá tivesse escrito por puro medo de ser obrigado a fazer Like na sua página. Grande seria o drama nacional se entre tantos Likes, encontrasse uma alternativa à Maria Cavaca. Sabendo-lhe os gostos no que ao feminino concerne estou certo de que seria séria, dedicada, excelente dona-de-casa, com um passado impoluto e que nunca copulou que não na posição missionária. Ou talvez não ...
Cada um sabe de si e não me cabe compete fazer julgamentos sobre o uso que dá a esta nova forma de comunicação. Para mim não dá. Desde os DJs frustrados que disparam dez de seguida, até aos que só escrevem coisas enigmáticas, a minha paciência e tempo são escassos para lidar com tal futilidade.
Mas o mais grave disto é que já não é só uma ferramenta de jovens ou adultos à procura de não sei muito bem o quê, mas uma ferramenta institucional. Cavaco Silva é o seu utilizador top. Quando devia comunicar olhos nos olhos aos portugueses, lança bitaites via face. Nunca li nada que ele lá tivesse escrito por puro medo de ser obrigado a fazer Like na sua página. Grande seria o drama nacional se entre tantos Likes, encontrasse uma alternativa à Maria Cavaca. Sabendo-lhe os gostos no que ao feminino concerne estou certo de que seria séria, dedicada, excelente dona-de-casa, com um passado impoluto e que nunca copulou que não na posição missionária. Ou talvez não ...
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Assédio publicitário
Um rapaz com uma franja estranha insiste em entrar-me casa adentro umas dez vezes por hora. Sempre a falar do Continente e do cabaz. Ontem com a minha filha resolvi contar o número de vezes que o marmanjo aparecia num longo intervalo publicitário. Contei 6 (seis!). Farto de o aturar resolvi mudar de canal. Quem lá estava a rir-se para mim com o ar de que tinha acabado de ser vítima de um clister? O rapaz do Continente. Será que poderemos considerar isto um caso de assédio publicitário? Irra ...
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Sci-Fi e Fantasia
Hoje, ao olhar para a estante, encontrei alguns dos livros da minha juventude. Entre os 16 e os 19 anos fui consumidor compulsivo de ficção científica e fantasia. Eram livros de bolso da Europa América, baratos, simples, divertidos e com grandes autores. Tal como hoje a sci-fi e fantasia era os parentes pobres da literatura. A saga de "O Senhor dos Anéis" recuperou de novo este género de literatura popular reabiltando-a aos olhos de muitos embora outros tantos ainda hoje a considerem um género menor.
Não sou um especialista em literatura, apenas um consumidor de livros pelo prazer de um boa "estória". Ainda hoje sigo esta máxima, descrita pelo meu amigo Ricardo de uma maneira simples mas efectiva e profundamente despretensiosa. "Ler é um prazer, não um dever". Tenho por isso grandes lacunas no conhecimento dos clássicos. Se o livro não me "agarra", se não me sinto preso à narrativa e aos personagens, pura e simplesmente abandono-o. Ainda mais assustador, são os livros que as pessoas dizem ter lido mas que mas que têm na estante apenas para dar impacto intelectual. Existe muita mentira e pedantismo no mundo dos livros.
Quase trinta anos depois continuo a encarar a leitura como um divertimento, sem procurar nela a revelação do sentido da vida. Amigos por obrigações profissionais e académicas são obrigadas a ler obras intragáveis. Tenho a sorte de não carregar tais fardos. Ler, ainda e sempre um prazer simples de um homem simples.
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sábado, 23 de julho de 2011
Bando dos Quatro
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| Estes são os outro quatro |
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
Gosto de Palavrões (MEC)
A semiótica dos palavrões pelo grande Miguel Esteves Cardoso.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
Coisas de gajo
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Vem esta prosa a propósito de um encontro matinal com um Aston Martin DBS coupé. Além da natural inveja pelos 510 cavalos e 300 mil euros de pinta que circulavam à minha frente, passei momentos de sofrimento ao ver como tão mal era conduzido aquele objecto de desejo. Titubeante, aos esses, a 20 à hora. A coisa foi de tal forma que ao parar no parque, não resisti a comentar com o colega que vinha logo atrás.
- Um bomba desta tão mal conduzida, disse eu.
- Vinha a pensar na mesma coisa. Pensei que viesse devagar para se exibir, mas era mesmo trengo, comentou o companheiro de sofrimento.
Coisas de gajos, que só os gajos compreendem.
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
O homem ideal
É comum dizer-se que as mulheres de hoje estão sobre enorme pressão. Profissional, doméstica e parental. Completamente de acordo. Só que esta "exigência de perfeição" também atinge os homens. Espera-se que um homem seja um profissional de sucesso, intelectualmente capaz, de fina sensibilidade, amante excepcional, um mestre nas lides domésticas, de aspecto irrepreensível e progenitor de excepção.
O homem ideal seria:
1. Um qualquer magnata ou executivo de sucesso (a fortuna de um Belmiro e a juventude um Mexia).
2. Capaz de citar Proust, ter lido a obra completa de James Joyce e conhecer, sem hesitações, a poesia de Herberto Hélder.
3. Ser capaz de comover-se com uma comédia romântica ou com as condições das crianças africanas.
4. Um amante capaz de obscurecer Casanova.
5. Ser capaz de aspirar e arrumar com alegria, enquanto prepara uma salada de farfalle baixa em calorias.
6. Ter sempre bom aspecto, formal ou desportivo, não ter barriga, um tronco musculado de fazer inveja a um qualquer Adónis.
7. Um pai de excepção que cuida e ouve os filhos, os mima e acarinha, firme e terno em simultâneo.
Meninas, sejamos realistas. Se algum de nós conseguisse reunir num único ser a fortuna e sucesso de Mexia, a capacidade intelectual de Saramago, a sensibilidade de um valter hugo mãe, a sedução de um Casanova, os dotes para a culinária de Chakall, o aspecto de George Clooney e o jeito para crianças da Mary Poppins, casava-se consigo mesmo.
O homem ideal seria:
1. Um qualquer magnata ou executivo de sucesso (a fortuna de um Belmiro e a juventude um Mexia).
2. Capaz de citar Proust, ter lido a obra completa de James Joyce e conhecer, sem hesitações, a poesia de Herberto Hélder.
3. Ser capaz de comover-se com uma comédia romântica ou com as condições das crianças africanas.
4. Um amante capaz de obscurecer Casanova.
5. Ser capaz de aspirar e arrumar com alegria, enquanto prepara uma salada de farfalle baixa em calorias.
6. Ter sempre bom aspecto, formal ou desportivo, não ter barriga, um tronco musculado de fazer inveja a um qualquer Adónis.
7. Um pai de excepção que cuida e ouve os filhos, os mima e acarinha, firme e terno em simultâneo.
Meninas, sejamos realistas. Se algum de nós conseguisse reunir num único ser a fortuna e sucesso de Mexia, a capacidade intelectual de Saramago, a sensibilidade de um valter hugo mãe, a sedução de um Casanova, os dotes para a culinária de Chakall, o aspecto de George Clooney e o jeito para crianças da Mary Poppins, casava-se consigo mesmo.
sábado, 16 de julho de 2011
Membros
Quando iniciamos um blogue, tudo é novidade. Decidi que este seria um blogue sem tema. É que eu também sou um tipo sem assunto. Seria de pensamentos avulso, o mais espontâneos possível. Com o risco que tal atitude acarreta, tomei a decisão de não burilar os textos. Tinham se ser instintivos, sentidos. Em detrimento de um português mais apurado achei que devia ser acima de tudo natural. Escrever como falo.
Hoje ao abrir o blogue passei pelos rostos que tiveram a desfaçatez de mostrar publicamente que lêem isto. Conheço-os pessoalmente a quase todos. As duas únicas pessoas que seguem o purgatório e que nunca vi também já as considero amigas. A Fénix já se expôs, discordou, deu ideias, participou em discussões, animou-me em momentos de depressão, uma verdadeira amiga. A Paula é do tipo silencioso. Ocasionalmente escreve belos contos no Uma espécie de mim. Participou poucas vezes, mas sempre com generosidade e assertividade. Gostei que tivessem mudado o nome do widget de Seguidores para Membros. Não sou profeta, nem quero ter seguidores. Mas agrada-me a ideia de sermos membros de uma comunidade de amigos que na pluralidade encontram algo que os une. A amizade não se agradece, mas obrigado por serem meus amigos.
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domingo, 10 de julho de 2011
dos meus namoros
A propósito do post anterior lembrei-me como as relações afectivas mudaram nos últimos anos. Hoje os jovens não namoram, "andam". Iniciei-me nas lides do namoro da forma mais pérfida que se pode imaginar. Roubando a potencial namorada a um amigo que não atava nem desatava. Eu desempatei a meu favor. Seguiram-se namoricos, sem grande critério a não ser o de, como todo o ser humano, cumprir o supremo desejo de me sentir amado. Como sou um romântico guardei cartas e bilhetes trocados durante muitos anos. Coisas infantis e inocentes, que hoje fariam rir um adolescente de 13 anos.
Naquele tempo, os locais privilegiados para encontrarmos a nossa alma gémea eram as festas de garagem. Umas mais organizadas, com comes e bebes, outras verdadeiramente underground. O momento alto, os slows. Havia truques requintados, como pedir do DJ de serviço para passar a versão longa do "I'm still loving you" dos Scorpions. Com sorte conseguia-se beijar uma rapariga e marcar encontro para o dia seguinte. Com azar afundávamo-nos na Super Bock, encostados a um canto com o ar mais rebelde possível.
Com 16 anos, as relações sexuais entre adolescentes eram coisa quase inexistente. Uns beijos mais ousados, umas mãos mais atrevidas, empurradas com uma negação consentida e ficávamos por aí. Sexo só depois de um longo período (e quanto digo longo quero dizer meses ou até anos) de avanços e recuos, com uma namorada fixa, a quem já tivéssemos dado prova de amor eterno. Não era de todo invulgar ter a primeira relação sexual com a namorada de longa data com 17, 18 ou 19 anos. Talvez por ter vivido dessa forma, nunca fui homem de "one nigth stand". Não porque faltasse vontade, simplesmente porque tal só era possível recorrendo a miúdas de má fama ou a profissionais do amor. Do meu curriculum nenhum destes tipos consta.
Confissões sem interesse, meramente geracionais, dirão uns. Eu vivi de forma bem mais intensa, pensarão outros. Sinceramente, estou-me nas tintas. De uma coisa tenho a certeza. O que aqui escrevi representa o modo de viver da maioria dos que agora têm 40 e muitos anos. Quanto mais não seja, existe aqui matéria antropológica.
Nota para os menos perspicazes: a última frase é uma piada.
Naquele tempo, os locais privilegiados para encontrarmos a nossa alma gémea eram as festas de garagem. Umas mais organizadas, com comes e bebes, outras verdadeiramente underground. O momento alto, os slows. Havia truques requintados, como pedir do DJ de serviço para passar a versão longa do "I'm still loving you" dos Scorpions. Com sorte conseguia-se beijar uma rapariga e marcar encontro para o dia seguinte. Com azar afundávamo-nos na Super Bock, encostados a um canto com o ar mais rebelde possível.
Com 16 anos, as relações sexuais entre adolescentes eram coisa quase inexistente. Uns beijos mais ousados, umas mãos mais atrevidas, empurradas com uma negação consentida e ficávamos por aí. Sexo só depois de um longo período (e quanto digo longo quero dizer meses ou até anos) de avanços e recuos, com uma namorada fixa, a quem já tivéssemos dado prova de amor eterno. Não era de todo invulgar ter a primeira relação sexual com a namorada de longa data com 17, 18 ou 19 anos. Talvez por ter vivido dessa forma, nunca fui homem de "one nigth stand". Não porque faltasse vontade, simplesmente porque tal só era possível recorrendo a miúdas de má fama ou a profissionais do amor. Do meu curriculum nenhum destes tipos consta.
Confissões sem interesse, meramente geracionais, dirão uns. Eu vivi de forma bem mais intensa, pensarão outros. Sinceramente, estou-me nas tintas. De uma coisa tenho a certeza. O que aqui escrevi representa o modo de viver da maioria dos que agora têm 40 e muitos anos. Quanto mais não seja, existe aqui matéria antropológica.
Nota para os menos perspicazes: a última frase é uma piada.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
das qualidades do metro ...
Por circunstâncias especiais, sou obrigado a andar de carro todos os dias. Tudo se passa num pequeno circuito que, fechado, não terá mais de 4 kms. Quando trabalhava na baixa e não era obrigado a transportar todos os dias a minha filha para o infantário, fazia-o de metro.
Hoje, por necessidades profissionais, repeti o percurso feito inúmeras vezes. A comodidade e rapidez deste transporte público é melhor do que há três anos atrás. Temos carruagens com uma ar condicionado decente, uma regularidade mais do que aceitável e até pequenos televisores para aligeirar o percurso. Fiquei fascinado por na estação da Avenida de França disponibilizarem painéis de horários idênticos aos de aeroportos ou grandes estações ferroviárias.
Dito isto, só lamento não ser possível utilizar mais este magnífico e moderno meio de transporte que nos foi posto à disposição. Andar de carro no centro do Porto é irracional. Só para não expor uma criança de 6 anos a uma caminhada de 15 minutos sob as condições dos elementos o faço. O lado de pai-galinha a vir ao de cima.
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sábado, 2 de julho de 2011
O mimo
Costumo ver um homem pintado de mimo, em cima de uma lata, na zona onde habito. Como desaparece ciclicamente, suponho que percorra os inúmeros semáforos da cidade do Porto. Costuma ficar em pose durante uns segundos e depois aborda os carros parados, pedindo. Embora pedir seja uma situação atroz, há maneiras mais e menos dignas, mais e menos artísticas de o fazer. Dou sempre um ou dois euros, porque associo este homem a uma saudável forma de vagabundagem artística. Hoje cruzei-me com ele, a pé. Eu que sou tão lesto a pegar no telemóvel do bolso e a tirar fotografias, fiquei paralisado. Tinha na mão uma tabuleta de papel que dizia "TENHO FOME". Acabou-se o romantismo da figura e fui incapaz de o abordar, até para a habitual moeda. Faço esta confissão, porque deveria ter falado com ele, deveria ter-lhe pago um almoço tardio, mas não o fiz. Fiquei confrontado com a dura realidade, que derrubou como um castelo de cartas o poético que via nesta figura. A ver se no próximo encontro me encho de coragem e faço o que deve ser feito.
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